O que é a taxa de frequência
A taxa de frequência (TF) diz quantos acidentes aconteceriam a cada 1 milhão de horas trabalhadas, no ritmo do período. Dividir pelas horas, e não pelo número de pessoas, deixa comparar meses e empresas de tamanhos diferentes: 12 acidentes numa empresa grande não pesam o mesmo que 12 numa pequena.
A conta é a da ABNT NBR 14280, a norma brasileira de cadastro de acidente do trabalho, como explicam as fontes desta página: o número de acidentes vezes 1.000.000, dividido pelas horas-homem de exposição ao risco. Com 12 acidentes em 1.150.000 horas, a TF é 12 × 1.000.000 ÷ 1.150.000 = 10,43.
TF = número de acidentes × 1.000.000 ÷ horas-homem de exposição ao risco
O que é a taxa de gravidade
A taxa de gravidade (TG) mede o peso dos acidentes: quantos dias foram perdidos ou debitados a cada 1 milhão de horas trabalhadas. Dois anos com o mesmo número de acidentes podem ter gravidades bem diferentes.
Dias perdidos são os dias efetivamente perdidos por causa da lesão do acidente do trabalho. Dias debitados são valores que a NBR 14280 atribui quando o acidente causa morte, incapacidade para o trabalho ou perda anatômica. Os dias de cada caso estão numa tabela da norma, que é da ABNT e tem direito autoral: por isso ela não aparece aqui. Consulte a norma, some os dias debitados do período e digite o total.
Para os casos de morte ou de incapacidade permanente, confira na própria NBR 14280 como somar os dias perdidos e os debitados.
TG = (dias perdidos + dias debitados) × 1.000.000 ÷ horas-homem de exposição ao risco
Horas-homem: o número certo e a estimativa
O certo é usar a soma das horas efetivamente trabalhadas por todos no período, as horas-homem de exposição ao risco. Sem esse número, dá pra estimar multiplicando o número de trabalhadores pelas horas trabalhadas: o estudo do IFSULDEMINAS citado nas fontes multiplicou os trabalhadores pelos dias trabalhados e pela média de horas por dia.
A aba "Estimar as horas" faz a mesma ideia com as horas por mês: 150 trabalhadores × 176 horas × 12 meses = 316.800 horas-homem. Com 5 acidentes e 48 dias perdidos nesse período, a TF é 15,78 e a TG é 151,52.
Horas-homem estimadas = trabalhadores × horas por mês × meses
Como ler os números
- TF 10,43 quer dizer que, no ritmo do período, seriam cerca de 10 acidentes a cada 1 milhão de horas trabalhadas. TG 82,61 quer dizer cerca de 83 dias perdidos ou debitados a cada 1 milhão de horas.
- Os dias divididos pelos acidentes dão a média de dias por acidente: no exemplo, 95 ÷ 12, quase 8 dias.
- A ferramenta não diz se a taxa é boa ou ruim. O jeito útil de usar é comparar a mesma empresa ao longo do tempo, contando sempre do mesmo jeito.
- No Brasil a referência é 1 milhão de horas; nos países europeus e nos Estados Unidos é comum a base de 200.000 horas (dissertação da USP citada nas fontes). Pra comparar com uma taxa nessa base, divida a daqui por 5: a ferramenta mostra as duas.
- São indicadores do que já aconteceu: medem o resultado dos acidentes ocorridos, não o risco que ainda existe no trabalho.
Com afastamento, sem afastamento e acidente de trajeto
Não existe um critério único entre as empresas. A dissertação da USP citada nas fontes conta que algumas calculam a taxa sem os acidentes de primeiros socorros, os quase acidentes, os acidentes de trajeto e os fora do trabalho, que ficam numa conta à parte, e que outras juntam empregados próprios e terceirizados. Antes de comparar duas taxas, confira se foram calculadas do mesmo jeito.
Há empresas que também acompanham à parte os acidentes com perda de tempo e sem perda de tempo. Se você disser quantos acidentes tiveram afastamento, a ferramenta mostra a taxa de frequência de cada grupo.