A fórmula dos laudos
A hemoglobina glicada (HbA1c) é a parte da hemoglobina do sangue que ficou ligada à glicose. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes lembra que ela reflete a glicemia média dos últimos 2 a 3 meses. Pra traduzir esse número numa glicemia média, em mg/dL, usa-se a fórmula do estudo ADAG.
O ADAG mediu a glicose de 507 pessoas, com e sem diabetes, durante 3 meses, com sensor contínuo e ponta de dedo, e comparou a média com a hemoglobina glicada do fim do período. Saiu uma reta: glicemia média estimada = 28,7 × HbA1c - 46,7, em mg/dL (Nathan e colegas, Diabetes Care, 2008).
A tabela do artigo, que usa mais casas na versão em mmol/L (1,5944 e 2,594), dá 97 mg/dL pra 5%, 126 pra 6%, 154 pra 7%, 183 pra 8%, 212 pra 9% e 240 pra 10%. A ferramenta faz a mesma conta.
Glicemia média (mg/dL) = 28,7 × HbA1c - 46,7 · Glicemia média (mmol/L) = 1,5944 × HbA1c - 2,594
É uma estimativa, não uma medida
A glicemia média estimada é uma conta feita a partir da glicada, não a média das suas glicemias. Pra 7%, a tabela do artigo dá 154 mg/dL, com um intervalo de 95% que vai de 123 a 185 mg/dL: duas pessoas com a mesma glicada podem ter médias bem diferentes.
Algumas situações mudam a glicada sem mudar a glicemia. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes lista variantes de hemoglobina e hemoglobinopatias, gestação e puerpério, anemias, transfusões, uso de antirretrovirais, doença renal crônica e uso de eritropoetina. O estudo ADAG deixou de fora pessoas com anemia, doenças do sangue, perda de sangue ou transfusão, doença crônica do rim ou do fígado e uso de doses altas de vitamina C ou de eritropoetina.
As faixas da diretriz
A Tabela 1 do capítulo "Diagnóstico de diabetes mellitus" da diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024) usa estas faixas de hemoglobina glicada:
- Abaixo de 5,7%: a faixa que a tabela chama de normal.
- De 5,7% a 6,4%: a faixa que a diretriz chama de pré-diabetes.
- 6,5% ou mais: a faixa usada no diagnóstico de diabetes, que o médico confirma com outro exame.
Porcentagem e mmol/mol
O laudo brasileiro traz a hemoglobina glicada em porcentagem, o padrão do NGSP, o programa que padroniza o exame e que a diretriz cita. A IFCC, a federação internacional de química clínica, usa mmol/mol. A equação do NGSP liga as duas: % = 0,09148 × mmol/mol + 2,152. Assim, 6% são 42 mmol/mol e 7% são 53 mmol/mol.
mmol/mol = (% - 2,152) ÷ 0,09148
Quem interpreta o exame
A diretriz recomenda repetir o exame pra confirmar quando só um deles está alterado, e lê a glicada junto com a glicemia de jejum: a de jejum mostra um momento, a glicada mostra a média de meses. Por isso a ferramenta só descreve a faixa. Quem interpreta, junto com a sua história e os outros exames, é o médico.