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A escravidão no Brasil acabou em 1888. Vinte e dois anos depois, o castigo corporal ainda era legalizado dentro da Marinha, e a chibata continuava sendo usada nos marinheiros, a maioria deles negros, sob oficiais brancos.
Em 16 de novembro de 1910, o marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes recebeu 250 chibatadas a bordo do encouraçado Minas Gerais. A punição usual era de 25.
Seis dias depois, os marinheiros tomaram o navio.
O homem à frente deles se chamava João Cândido Felisberto, filho de pessoas escravizadas, que tinha entrado na Marinha ainda adolescente.
Entre 1.500 e 2.000 marinheiros aderiram.
Assumiram o controle dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo e dos cruzadores Bahia e Deodoro, alguns dos navios mais modernos do mundo naquele momento. E apontaram os canhões para o Rio de Janeiro, que era a capital do país.
Enviaram um ultimato ao presidente Hermes da Fonseca com duas exigências: o fim das chibatadas e anistia para os revoltosos. Em 4 dias, o governo cedeu. O castigo corporal foi extinto e a anistia foi concedida.
Eles tinham ganhado.
Foi aí que começou o problema.
Uma semana depois, quase todos foram presos, expulsos da Marinha ou enviados para os seringais da Amazônia. A anistia prometida não foi cumprida.
João Cândido foi expulso, preso e internado num hospício. Depois foi julgado e absolvido.
Marcado pela revolta, tentou trabalhar na marinha mercante e foi recusado em todos os navios. Passou o resto da vida na descarga de peixe do entreposto de pesca da Praça 15, no Rio de Janeiro.
O homem que apontou os canhões da esquadra para a capital do país e obrigou o governo a mudar a lei morreu pobre, em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos.
O Estado brasileiro só concedeu a anistia por lei em 2008. Trinta e nove anos depois da morte dele.
Você aprendeu isso na escola?
Segue @historiailtda pra ver a história como você nunca viu.
#joaocandido #revoltadachibata #historiadobrasil #riodejaneiro #vocesabia
*Imagem ilustrativa gerada por IA
História Ilimitada A escravidão no Brasil acabou em 1888. Vinte e dois anos depois, o castigo corporal ainda era legalizado dentro da Marinha, e a chibata continuava sendo usada nos marinheiros, a maioria deles negros, sob oficiais brancos. Em 16 de novembro de 1910, o marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes recebeu 250 chibatadas a bordo do encouraçado Minas Gerais. A punição usual era de 25. Seis dias depois, os marinheiros tomaram o navio. O homem à frente deles se chamava João Cândido Felisberto, filho de pessoas escravizadas, que tinha entrado na Marinha ainda adolescente. Entre 1.500 e 2.000 marinheiros aderiram. Assumiram o controle dos encouraçados Minas Gerais e São Paulo e dos cruzadores Bahia e Deodoro, alguns dos navios mais modernos do mundo naquele momento. E apontaram os canhões para o Rio de Janeiro, que era a capital do país. Enviaram um ultimato ao presidente Hermes da Fonseca com duas exigências: o fim das chibatadas e anistia para os revoltosos. Em 4 dias, o governo cedeu. O castigo corporal foi extinto e a anistia foi concedida. Eles tinham ganhado. Foi aí que começou o problema. Uma semana depois, quase todos foram presos, expulsos da Marinha ou enviados para os seringais da Amazônia. A anistia prometida não foi cumprida. João Cândido foi expulso, preso e internado num hospício. Depois foi julgado e absolvido. Marcado pela revolta, tentou trabalhar na marinha mercante e foi recusado em todos os navios. Passou o resto da vida na descarga de peixe do entreposto de pesca da Praça 15, no Rio de Janeiro. O homem que apontou os canhões da esquadra para a capital do país e obrigou o governo a mudar a lei morreu pobre, em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos. O Estado brasileiro só concedeu a anistia por lei em 2008. Trinta e nove anos depois da morte dele. Você aprendeu isso na escola? Segue @historiailtda pra ver a história como você nunca viu. #joaocandido #revoltadachibata #historiadobrasil #riodejaneiro #vocesabia *Imagem ilustrativa gerada por IA