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Se você mora no Rio ou em São Paulo, já passou pelo nome dele dezenas de vezes. Túnel Rebouças, no Rio. Avenida Rebouças, em São Paulo.
Quase ninguém sabe quem ele foi.
André Pinto Rebouças nasceu em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, em 13 de janeiro de 1838. Era filho de Antônio Pereira Rebouças, homem negro e autodidata que chegou a deputado e conselheiro do Império.
Formou-se engenheiro e entrou para a história como o primeiro engenheiro negro do Brasil.
Serviu na Guerra do Paraguai como engenheiro militar. Ao voltar, assinou algumas das maiores obras do Segundo Reinado: as Docas da Alfândega, as Docas Dom Pedro II, o plano de abastecimento de água do Rio de Janeiro e a estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranaguá.
Mas os projetos dele dependiam de concessão pública, e muitos nunca saíram do papel.
A historiadora Hebe Mattos registra que ele sofreu inúmeras agressões racistas por parte de seus concorrentes. E numa viagem aos Estados Unidos, na década de 1870, foi ele próprio vítima de discriminação racial.
A partir de 1880 entrou de vez na campanha abolicionista e fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão ao lado de Joaquim Nabuco e José do Patrocínio.
E aqui está a parte que quase ninguém conta.
O plano de abolição que Rebouças defendia não era só libertar. Previa distribuição de terras para os libertos e cooperativas de camponeses.
Foi rejeitado. A abolição veio em 1888 sem indenização e sem terra nenhuma.
Monarquista e amigo da família imperial, ele acompanhou a família no exílio depois da Proclamação da República, em 1889.
Nunca mais voltou. Morou em Luanda, viajou pela África e em 1893 mudou-se para Funchal, na ilha da Madeira. Em 1896 recusou um convite para voltar ao Brasil.
Morreu em Funchal, em 9 de maio de 1898, aos 60 anos.
O nome dele só entrou no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria em 2024. Cento e vinte e seis anos depois.
Você já passou pela Avenida ou pelo Túnel Rebouças?
Segue @historiailtda pra ver a história como você nunca viu.
#andrereboucas #historiadobrasil #engenharia #abolicao #vocesabia
*Imagem ilustrativa gerada por IA
História Ilimitada Se você mora no Rio ou em São Paulo, já passou pelo nome dele dezenas de vezes. Túnel Rebouças, no Rio. Avenida Rebouças, em São Paulo. Quase ninguém sabe quem ele foi. André Pinto Rebouças nasceu em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, em 13 de janeiro de 1838. Era filho de Antônio Pereira Rebouças, homem negro e autodidata que chegou a deputado e conselheiro do Império. Formou-se engenheiro e entrou para a história como o primeiro engenheiro negro do Brasil. Serviu na Guerra do Paraguai como engenheiro militar. Ao voltar, assinou algumas das maiores obras do Segundo Reinado: as Docas da Alfândega, as Docas Dom Pedro II, o plano de abastecimento de água do Rio de Janeiro e a estrada de ferro que liga Curitiba ao porto de Paranaguá. Mas os projetos dele dependiam de concessão pública, e muitos nunca saíram do papel. A historiadora Hebe Mattos registra que ele sofreu inúmeras agressões racistas por parte de seus concorrentes. E numa viagem aos Estados Unidos, na década de 1870, foi ele próprio vítima de discriminação racial. A partir de 1880 entrou de vez na campanha abolicionista e fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão ao lado de Joaquim Nabuco e José do Patrocínio. E aqui está a parte que quase ninguém conta. O plano de abolição que Rebouças defendia não era só libertar. Previa distribuição de terras para os libertos e cooperativas de camponeses. Foi rejeitado. A abolição veio em 1888 sem indenização e sem terra nenhuma. Monarquista e amigo da família imperial, ele acompanhou a família no exílio depois da Proclamação da República, em 1889. Nunca mais voltou. Morou em Luanda, viajou pela África e em 1893 mudou-se para Funchal, na ilha da Madeira. Em 1896 recusou um convite para voltar ao Brasil. Morreu em Funchal, em 9 de maio de 1898, aos 60 anos. O nome dele só entrou no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria em 2024. Cento e vinte e seis anos depois. Você já passou pela Avenida ou pelo Túnel Rebouças? Segue @historiailtda pra ver a história como você nunca viu. #andrereboucas #historiadobrasil #engenharia #abolicao #vocesabia *Imagem ilustrativa gerada por IA