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Em 1908, um médico de 29 anos foi mandado para Lassance, no norte de Minas Gerais, para combater a malária entre os trabalhadores da estrada de ferro. Montou um laboratório dentro de um vagão de trem, e dormia no mesmo vagão.
O nome dele era Carlos Chagas.
Ali ele reparou num inseto que os moradores chamavam de barbeiro, e que vivia nas frestas das casas de pau a pique. Examinou o intestino do bicho e achou um protozoário desconhecido.
Mandou amostras para Oswaldo Cruz. Um mês depois veio a resposta: os saguis do laboratório de Manguinhos tinham adoecido.
Chagas batizou o parasita de Trypanosoma cruzi, em homenagem ao próprio Oswaldo Cruz. Faltava encontrar a doença numa pessoa.
Em 14 de abril de 1909, ele examinou o sangue de uma menina de 2 anos com febre, em Lassance. O nome dela era Berenice. O parasita estava lá.
E aqui está o que torna essa história única. Num intervalo de poucos meses, o mesmo pesquisador identificou o inseto transmissor, o parasita causador, o ciclo da transmissão e a doença nova em seres humanos.
Isso nunca tinha acontecido na história da medicina, e nunca mais aconteceu. Nenhum outro cientista descreveu sozinho uma doença inteira.
Foi indicado ao Nobel de Medicina em 1913 e em 1921. Não ganhou nenhuma das duas vezes, e em 1921 o prêmio não foi entregue a ninguém.
Enquanto isso acontecia lá fora, aqui dentro era pior.
Na Academia Nacional de Medicina, em 1922, Afrânio Peixoto declarou em sessão que ninguém conhecia aqueles doentes e chamou o caso, com ironia, de doença de Lassance.
Chagas pediu à própria Academia uma comissão para avaliar o trabalho dele. Em 1923, o parecer saiu favorável.
Ele morreu em 8 de novembro de 1934, aos 55 anos.
A doença que ele descreveu leva o nome dele até hoje.
Qual professor te fez gostar de ciência na escola?
Segue @historiailtda pra ver a história como você nunca viu.
#carloschagas #cienciabrasileira #minasgerais #historiadobrasil #vocesabia
*Imagem ilustrativa gerada por IA
História Ilimitada Em 1908, um médico de 29 anos foi mandado para Lassance, no norte de Minas Gerais, para combater a malária entre os trabalhadores da estrada de ferro. Montou um laboratório dentro de um vagão de trem, e dormia no mesmo vagão. O nome dele era Carlos Chagas. Ali ele reparou num inseto que os moradores chamavam de barbeiro, e que vivia nas frestas das casas de pau a pique. Examinou o intestino do bicho e achou um protozoário desconhecido. Mandou amostras para Oswaldo Cruz. Um mês depois veio a resposta: os saguis do laboratório de Manguinhos tinham adoecido. Chagas batizou o parasita de Trypanosoma cruzi, em homenagem ao próprio Oswaldo Cruz. Faltava encontrar a doença numa pessoa. Em 14 de abril de 1909, ele examinou o sangue de uma menina de 2 anos com febre, em Lassance. O nome dela era Berenice. O parasita estava lá. E aqui está o que torna essa história única. Num intervalo de poucos meses, o mesmo pesquisador identificou o inseto transmissor, o parasita causador, o ciclo da transmissão e a doença nova em seres humanos. Isso nunca tinha acontecido na história da medicina, e nunca mais aconteceu. Nenhum outro cientista descreveu sozinho uma doença inteira. Foi indicado ao Nobel de Medicina em 1913 e em 1921. Não ganhou nenhuma das duas vezes, e em 1921 o prêmio não foi entregue a ninguém. Enquanto isso acontecia lá fora, aqui dentro era pior. Na Academia Nacional de Medicina, em 1922, Afrânio Peixoto declarou em sessão que ninguém conhecia aqueles doentes e chamou o caso, com ironia, de doença de Lassance. Chagas pediu à própria Academia uma comissão para avaliar o trabalho dele. Em 1923, o parecer saiu favorável. Ele morreu em 8 de novembro de 1934, aos 55 anos. A doença que ele descreveu leva o nome dele até hoje. Qual professor te fez gostar de ciência na escola? Segue @historiailtda pra ver a história como você nunca viu. #carloschagas #cienciabrasileira #minasgerais #historiadobrasil #vocesabia *Imagem ilustrativa gerada por IA